segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Rádio Digital em pauta no Senado Federal

ATENÇÃO: Vejam como a discussão não é apenas tecnológica. O futuro da comunicação e seu papel social estão em jogo.


Digitalização do rádio poderá eliminar pequenas e médias emissoras
Ana Rita Marini
Fonte: FNDC 18/08/2007


Tal como está sendo conduzida, a digitalização do rádio no Brasil aumentará a concentração dos meios de comunicação e o poder das grandes redes. Essa constatação tornou-se evidente na recente reunião Comissão de Ciência,Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado. Especialistas afirmam que uma decisão tecnológica de porte, como é a escolha do sistema de radiodifusão digital brasileiro, se for tomada às pressas, pode decretar o fim do rádio como um veículo democrático e plural, acessível dos lugares mais remotos e pelas diferentes classes sociais no país.

Em audiência no Senado Federal – “Implantação do Rádio Digital no Brasil” – no último dia 15, organizada pela CCT, parlamentares demonstraram surpresa e preocupação com o assunto. Eles começaram a perceber que a digitalização do rádio envolve mais questões do que a escolha de uma tecnologia, em função das decorrências econômicas e sociais. A adoção da nova tecnologia, tal como vem sendo encaminhada, praticamente excluirá as pequenas e médias emissoras, aumentando a conmcentração dos meios de comunicação e poder das grandes redes.

O jornalista José Carlos Torves, representante do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) na audiência, da qual foi um dos debatedores, referiu-se a recentes declarações que a Ibiquity, empresa proprietária do sistema In Band on Channel (IBOC) . O IBOC poderá ser a tecnologia escolhida para o Brasil, se o governo se curvar às pressões e pressa dos radiodifusores – que contam com o aval do ministro das Comunicações, Hélio Costa. A Ibiquity confirmou ao Federal Communicatoins Committion (FCC) – o organismo regulador dos meios de comunicação nos EUA – que o IBOC não tem capacidade tecnológica para atender às rádios abaixo de 25KW. Como estas emissoras são a maioria no Brasil, uma decisão por este padrão deixaria milhares de rádios fora do espectro. “O governo não sabia disso até poucos dias. Mesmo assim, se mostra apressado em tomar a decisão, sem um mínimo de segurança, pressionado pelos radiodifusores que se dizem ficando para trás na corrida digital”, diz Torves.

O Senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), ressaltou na audiência a importância do debate. “Avanço tecnológico faz com que tenhamos que discutir no Congresso e com a sociedade, no sentido de prepará-la para esta onda tecnológica que já chegou e que talvez nós não tenhamos tido o cuidado de acompanhar”.


Rádio corre o risco de sumir

Torves ressalta ainda que o rádio, hoje, apesar de ser o veículo de comunicação mais popular do país, já trabalha com uma margem muito pequena – quatro por cento – do bolo publicitário. “O rádio está definhando em termos de verba publicitária”, afirma Torves, acrescentando que a escolha do padrão americano Iboc tornará ainda mais inviável o futuro deste meio de comunicação. A maioria das rádios brasileiras, na opinião de Torves, não poderá encarar o custo para a transição (entre 80 mil e 120 mil dólares, além dos royalties). “O sistema de rádio no Brasil corre o risco de sumir”, assinala. Além do custo do receptor (o rádio), que terá um preço mínimo em torno de R$ 300,00.

O Superintendente de Serviços de Comunicação de Massa da Anatel, Ara Apkar Minassian, outro debatedor na audiência, acredita que o preço dos receptores cairá após a implantação da rádio digital, mas que é preciso regulamentar o setor neste momento de convergência. “Para sair do mundo analógico para o mundo digital, temos que ter um carinho muito grande com o rádio. Precisa de um marco regulatório para este mundo de convergência, onde um invade o espaço do outro”, apontou.

Sérgio Souza Dias, presidente do Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada do Rio Grande do Sul (Ceitec), expôs os estudos em desenvolvimento pela Ceitec e mostrou-se preocupado com o fato de que a Ibiquity ainda não liberou os futuros usários dos royalties, conforme foi anunciado pelo Ministério das Comunicações.
O sistema IBOC é um “devorador de faixa eletromagnética”, ressalta Torves, explicando que essa tecnologia não vai possibilitar a entrada de novas emissoras e reduzirá o número de rádios analógicas existentes. Permencerão as pertencentes aos grandes grupos de comunicação. “Assim, ao contrário do que se esperava, a digitalização, nestes termos, não levará a uma maior democratização da comunicação, mas provocar uma concentração ainda maior”, conclui o jornalista.


A CCT solicitará audiência com o ministro Hélio Costa para tratar do assunto.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O mercado discute a TV Digital

Termina hoje o congresso da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão. Além das discussões técnicas de equipamentos e linguagens, estão em pauta temas que temos visto em nossa disciplina. Vejam o que destaquei da programação e as pessoas envolvidas:

Congresso SET 2007
(Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão)

22, 23 e 24 de agosto de 2007- Centro de Convenções Imigrantes -São Paulo


TV Digital - Mobilidade e Portabilidade

Esse painel traz uma visão geral sobre as tecnologias convergentes para a distribuição de áudio, vídeo e multimídia em terminais portáteis bem como o panorama de implantação mundial e os modelos de interatividade adotados para esses sistemas. Os palestrantes farão uma descrição técnica comparativa dos sistemas, exemplos aplicações comerciais, informações de custos de conteúdo de terminais, variedade e qualidade dos serviços, disponibilidade e diversidade de terminais. Os desafios, oportunidades e casos de sucesso para o uso da interatividade e comércio eletrônico serão discutidos.

Mod.:Ana Eliza - SET e TV Globo / Jose Luciano Viana do Vale - QualcommRoger/ Johansson - FactumYasuo Takahashi - DIBEGYoshiki Maruyama - TV Asahy

Mídias/ Talk Show - Convergência: Cenários para o Futuro

Como ficam as mídias tradicionais após a chegada de novos players do mundo IP. Como serão os futuros dispositivos que os consumidores terão em casa e em mobilidade. Quais modelos de negócio deverão ser construídos. A visão de grandes empresas participantes desse cenário para o futuro.

Mod.: F. Bittencourt - SET e TV Globo/ Carlos Ferraz - CESAR / Renato Cotrim - MICROSOFT/ Telefônica / Skype / Google / NETSamsung

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Debate sobre novo consumidor, novas mídias e métricas encerra Digital Age 2.0

São Paulo - Painel destaca temas como o fim da comunicação de massa, a importância de ouvir o consumidor e entender o homo digitalis.
“A comunicação de massa acabou”.
A declaração de Marco Simões, diretor de comunicação da Coca-Cola - um dos mais notórios produtos de massa do mundo -, reflete o impacto da web na criação dos novos paradigmas para a publicidade, discutidos no painel que encerrou o Digital Age 2.0.
Simões salientou que a companhia vai se comunicar com cada um dos seus consumidores individualmente, não obstante a escala do seu produto, e vai trazer cada vez mais valores para a sua marca. “É preciso ter respeito à inteligência do consumidor”, apontou ele. Atenção ao consumidor também foi o tema apresentado no painel por Mercedes Sanchez, autora do blog Tá Difícil e especialista em usabilidade. “As empresas não percebem que ao responder um usuário em um blog, ela está respondendo a todos”, ressaltou ela. Já Risoletta Miranda, sócia e presidente da Addcomm, ressaltou a importância de entender esse novo consumidor. “Não há verba de anúncios ou estratégia que funcione, se você não entender o que vai na cabeça do homo digitalis”, apontou ela. A transição para a publicidade digital exige também novos meios de medir resultados, como apontou Oswaldo Barbosa de Oliveira, presidente de IAB Brasil e diretor geral do Microsoft Online Services Group. “Não dá mais para usar apenas o pageview como métrica”, ele enfatizou, apontando que novos recursos, como flash, AJAX e vídeos, não podem ser mensurados pelos critérios tradicionais. Oferecendo um contraponto ao entusiasmo em relação às novas mídias, Nelson de Sá, jornalista e autor da coluna Toda Mídia, da Folha de S. Paulo, relatou a angústia dos representantes da “velha mídia” com a pressão da web. “Valores da imprensa, como distanciamento e objetividade, estão se perdendo”, criticou.

http://idgnow.uol.com.br/internet/2007/08/10/idgnoticia.2007-08-10.9975094726/

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Convergência das mídias é tema de palestra

Conisli reúne 2000 pessoas em dois dias de evento.
Convergência de mídias e a natureza do software. Esses foram os temas abordados durante esta manhã de sábado (06/11) em conferências realizadas durante o II Conisli, Congresso Internacional de Software Livre, que acorre em São Paulo. O assessor da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Corinto Meffe, e o professor de ciências da computação da Universidade de Brasília, Pedro Resende, apresentaram aos congressistas um panorama do desenvolvimento do software livre no mundo e sua ligação com os novos conceitos de tecnologia baseados na convergência de todas as mídiasPara o professor Resende, o software livre fere o capitalismo, que deseja ter sempre o controle dos meios de produção. “O software proprietário está contaminando as relações do poder do Estado com a sociedade, a medida que impõe a todos um modelo de dependência cultural e econômica” frisou o professor, citando também a importância do poder sobre o código fonte, que é a natureza do software, pois tudo no ambiente tecnológico acontece por ele.Corinto Meffe defendeu em sua palestra que a inclusão digital deve ser ampla e irrestrita, citando o papel dos desenvolvedores de códigos, que levam para o fonte tudo o que aprendem nas suas relações sociais. Para Corinto, “qualquer nação soberana precisa ter o domínio de sua produção tecnológica. A sociedade da informção hoje é a sociedade da convergência, pois os elementos isolados de mídia, como rádio, TV e jornal, se cruzam pelos caminhos da tecnologia”.

Todas as linguagens a escolha do usuário

Maria Antonia indicou um ótimo artigo no link "http://www.laboris.com.br/artigos_21.asp"

Destaco e comento o seguinte trecho:

" A Audiência não se contenta mais em ser passiva, transformando-se no agente da informação, gerando e publicando conteúdo em larga escala, criando centros de notícias, Blogs, desenvolvendo e participando de grupos temáticos e/ou sociais, com códigos e linguagens próprios e com atualização em tempo real.

Para a Convergência de Mídias acontecer foi preciso desenvolver novas tecnologias que permitissem a sua efetivação, enfocando a plena conectividade e a probabilidade do “any time, any where”. Muito já se avançou em termos tecnológicos, mas a convergência engloba muito mais que isso. Nela se inserem os negócios, os mercados, as iniciativas públicas, a regulação etc.

Trata-se de um setor em que os conteúdos, aplicações e serviços são elementos-chave. Surgem, portanto, numerosas oportunidades para as empresas em áreas como a geração de conteúdo ou os sistemas de distribuição, que podem ser acessados de diferentes redes.

E que tipo de negócio sustenta e sustentará isto? Vemos a chegada cada vez mais próxima de um modelo de publicidade local, interativa, pulverizada, multimídia e surround. As empresas de comunicação vão ter que reaprender a vender, criando “planos de multimídia”. As agências de publicidade e os anunciantes também precisarão mudar para atender seus clientes e atingir a Sra. Audiência."

Comentários:
- provavelmente não teremos mais este personagem "Audiência". Trata-se de uma idéia estatística, de pessoas vistas como números, na lógica da comunicação de massa. Cada vez mais teremos que conhecer o consumidor um-a-um, e atender suas necessidades individuais de informação.

- como produtores de informação, teremos que utilizar simultaneamente as várias modalidades de linguagem: texto, áudio, vídeo, foto, sensações. O mesmo conteúdo poderá estar em todos estes formatos, sendo escolha do usuário como irá acessá-lo. Por exemplo, eu posso decidir acessar o conteúdo de uma palestra ouvindo uma gravação e outro usuário querer visualizar a resenha escrita. O importante é disponibilizar as opções !

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Livro traz "pérolas impublicáveis" da propaganda


da Folha Online

O livro "As Impublicáveis Pérolas da Propaganda. Agora Publicadas" (152 págs, R$ 42,90), lançado pela editora Panda Books, traz peças publicitárias que nunca chegaram ao mercado.
Em geral, essas campanhas "proibidas", chamadas de "pérolas", surgiram durante o processo de criação dos publicitários, principalmente nos chamados momentos de "brainstorm" (reunião de idéias em busca de soluções originais e criativas, sem preocupação com julgamentos nem com reações dos anunciantes e consumidores).
Compõem a publicação 104 peças e 48 slogans. A seleção do material foi realizada pelos criadores do site Desencannes (www.desencannes.com), bastante acessado por publicitários e estudantes de propaganda. A página reúne essas pérolas reproduzidas no livro.
Criado pelos publicitários Eduardo Dencker, Marcel Ares e Victor Marx, o Desencannes também é um festival anual com participação de agências e universitários de comunicação. Para viabilizar o livro, foi feita também uma parceria com a Getty Images, que cedeu imagens para ilustrar algumas campanhas selecionadas.
A publicação também traz textos do cartunista e professor Dorinho Bastos e Luiz Fernando D. Garcia, diretor nacional do curso de comunicação social da ESPM, além de depoimentos dos diretores de criação André Nassar (Young & Rubicam), Miguel Bemfica (DM9DDB), Valdir Bianchi (ex-Giovanni FCB) e Fernando Luna (LongPlay).
Esse livro deve ser muito bom. Entra no site desencannes.com que é resenha demais.

Abraaaaaço.

Lucas Maciel

Sociedade e tecnologia digital

Surge cada vez com mais força, no contexto das organizações da sociedade civil, a idéia de levar a tecnologia digital ao alcance da sociedade. Geralmente desenvolvidas através de cursos para pessoas de baixa renda, essas iniciativas se fizeram conhecidas pelo nome de inclusão digital, sendo pensadas e implementadas diante da constatação de uma desigualdade social e econômica que será agravada se não contemplar uma parcela significativa da sociedade no contexto das novas tecnologias de informação e comunicação. O que esses projetos possibilitam, portanto, na medida de suas possibilidades, é a diminuição das disparidades sociais entre aqueles que têm acesso a essa tecnologia e aqueles que passam a ter acesso não só à informática, como também à Internet.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

No Festival de Cannes 2007

Notícia encontrada hoje em http://www.portal.abemd.org.br

Há um bom tempo, os seminários de Cannes são bastante concorridos. Eles invariavelmente mostram o que é tendência no mundo da comunicação. O target ao qual as agências estão de olho no momento são os uploaders, segundo conta vice-presidente da criação da Fábrica, Marisa Furtado. "Já não se fala mais em perfil de usuário. O que importa agora são os internautas que postam conteúdos na rede", diz ela.
Esse target tem sido cada vez mais decisivo na preferência das marcas pelo seu poder de influenciar os outros. "Aí entram também os infovores, chamados devoradores de informação". O mais espantoso é que esses targets têm o poder de elevar – "ou detonar" – uma marca em questão de pouco tempo. "Ação recente da Nissan foi vista por 15 milhões de pessoas em pouco tempo", exemplifica Marisa. "Há dois ou três anos as idéias eram mais escandalosas. Hoje em dia temos uma certa confusão com a diversidade de canais. Estão substituindo a expressão Web 2.0 por Caos 2.0". Para Marisa, nessa profusão acentuada de formatos – vídeos, blogs, mobile, ambiente – as agências de propaganda estão levando uma ligeira vantagem.
Nesse sentido, para o diretor de planejamento da NeoGamaBBH, Fabiano Coura, o tom dos seminários de Cannes também mostra que a mídia de massa assume a função de engajar os consumidores para um diálogo. "Com a fragmentação dos canais, a relevância passou a ser decisiva na comunicação. É preciso levar utilidade e conteúdo adequado para tornar funcional a vida das pessoas".
A partir daí, quanto mais se estender esse diálogo, mais próximas e fiéis às marcas eles serão. "São vários o movimentos de grupos de comunicação no sentido de atuar em todos os níveis da comunicação", lembra Coura, como a compra da Agência Click pela Isobar, do Google adquirindo a Doubleclick e as aquisições realizadas recentemente pelo WPP e Microsoft.

Veja mais informações em www.fabianocoura.com e www.fabricad.com.br

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Primeiro a gente cria, depois converge

Criar um blog que é tudo ao mesmo tempo em todos os lugares interconectados. Aula, conversa, exercício, interatividade, diversão, puxão de orelha. Isto tem cara de convergência, não só das mídias, mas das mentes. Todas juntas, não ao mesmo tempo mas compartilhando deste espaço. Vamos começar esta experiência para ver no que dá.