terça-feira, 25 de setembro de 2007

A propaganda não morreu. Você é que está ficando velho

Mauro Brasil - Profissional de Comunicação dos Correios (VOX NEWS) – 26/06/2007


De tempos em tempos, surge alguma teoria para desbancar a propaganda convencional. Isto é bom para, no mínimo, nos fazer pensar sobre os rumos do nosso trabalho. O fato é que nos últimos anos tem havido uma explosão de rotas alternativas na indústria da comunicação. Coisas como guerrilha, buzz, word of mouth, viral, ambush, product placement, advergame, ambient marketing, stunt, branded content, advertainment, entre outros, têm tido cada vez mais um aumento de popularidade. Principalmente entre os clientes. Quem ainda não ouviu algum cliente pedir uma campanha de marketing viral de baixíssimo custo e grande audiência? Modismos à parte, a verdade é que a propaganda não é mais a mesma. O consumidor não é bobo e já conhece todas aquelas fórmulas que você insiste em usar. É, companheiro. Está cada vez mais difícil convencer o seu Manoel da padaria de que o seu produto é o melhor. De qualquer maneira, existem algumas lições que nós devemos aprender. A partir de agora, quando a gente receber o mesmo briefing de sempre, vamos experimentar pensar um pouco em: *Proximidade (ou ficando cada vez mais perto e pessoal). Significa cortar caminhos para falar com o consumidor. O esquema tradicional Marca > Mídia > Consumidor está muito caro e sem os mesmos resultados de outrora. Este conceito propõe um caminho do tipo Marca > Consumidor. Dois exemplos disso: O primeiro é uma ação da Sony Ericsson para promover o novo celular T68i com câmera digital. 60 atores fizeram-se passar por turistas em pontos estratégicos dos EUA, como o Empire State Building. Eles pediam para que as pessoas tirassem fotos com o celular, fazendo elas prestarem atenção no modelo enquanto explicavam como funcionava. O segundo foi uma ação criada pela Jupiter Drawing Room para um estúdio de tatoo chamado Kevins Kustom Tatoo. Em clubes e boates modernas da África do Sul - que normalmente utilizam carimbos como passaporte - os freqüentadores tinham o braço “tatuado” com o nome e o telefone do estúdio. No fim da noite, o público-alvo não apenas sabia aonde ir para fazer uma tatoo, mas ele mesmo havia feito um “branding”. *Exclusividade (ou indo aonde os competidores não estão). A Mercedes-Benz transformou o Ritz Carlton em um canal exclusivo para o lançamento do CLS 500. Durante o tempo em que estivessem no Ritz, os hóspedes tinham a disposição o CLS 500 sem limite de quilometragem, tanque completo toda manhã e estacionamento gratuito durante a noite. De acordo como o Ritz Carlton, diversos hóspedes decidiram-se por comprar o novo Mercedes-Benz a partir deste novo test drive. *Invisibilidade (ou movendo a marca para o background). Enquanto visibilidade é o mantra na propaganda convencional, a proposta agora é que para ser mais efetivo é preciso chamar a atenção por ser pequeno ou invisível. O melhor exemplo é a ação “Hype Gallery” da HP, criada pela Publicis de Londres. É o seguinte: a HP criou uma galeria de arte e convidou artistas de diversas mídias a participarem com seus trabalhos, bastando para isso utilizarem como inspiração palavras e frases com as letras “H” e “P”. As artes eram impressas nas novas impressoras da marca e os videos eram exibidos em projetores HP no ambiente “HYPE film bunker”. O resultado foi a participação de 1.193 artistas gráficos, 94 videomakers e a visita de mais de 4.000 pessoas à galeria. Como efeito amplificador – e para dar vazão aos trabalhos enviados – foi criado o site www.hypegallery.com que contou com 5 milhões e meio de acessos. A estratégia foi repetida em Singapura, Berlim, Paris e Milão. *Imprevisibilidade (ou pegando os consumidores com a guarda baixa). Resumindo é o seguinte: não espere enquadrar o consumidor em uma categoria pré-definida. Experimente fazer ele viver a marca quando menos imagina. A Adidas fez isso com a ação “Be the ball”, no lançamento da bola oficial da Copa do Mundo no ano passado. Foi montado uma estrutura de bungie jump em forma de bola de futebol. As pessoas eram convidadas a entrar em uma bola gigante de 2,5 metros, sendo lançadas no ar a mais de 170 km por hora. A proposta era fazer as pessoas se sentirem como uma bola de futebol, enquanto uma câmera filmava a reação dos participantes e transmitia em dois telões de plasma instalados no local.

Estes são apenas alguns caminhos. O fato é que em um mundo entupido de informação, ou você se diferencia ou você está morto.

Novas, velhas mídias e criatividade

21/06/2006 09:36
Novas, velhas mídias e criatividade
Rafael Sampaio, de Cannes


No terceiro dia dos seminários do Festival de Cannes 2006 não houve propriamente um tema dominante, pois foi grande a variedade de apresentações feitas. A MRM e Universal McCann complementaram a abordagem sobre as fórmulas para otimizar o mix de mídias; a Proximity mostrou a força crescente dos games na vida dos consumidores e como canal de comunicação de marketing; a Wunderman discutiu o que seria a criatividade na perspectiva da comunicação por conteúdo; a tradicional Johnson & Johnson enfocou novas fórmulas para falar com consumidores; a AKQA entregou prêmios a estudantes que se destacaram pelo uso original das novas mídias; a Verizon e a Draft revelaram como manter de forma eficaz uma relação cliente/agência por mais de 10 anos; e a JC Decaux exibiu as muitas inovações da mais tradicional mídia de massa e como o uso criativo desse meio pode mudar a história de um produto.O que se pôde observar como uma linha comum entre todos os seminários foi o fato de que apenas a disposição de manter a chama da criatividade acesa – apesar de todos os obstáculos – pode assegurar um uso eficiente das inúmeras alternativas para se atingir, impactar e envolver os consumidores.Alternativas históricas, como o outdoor, estão em constante renovação; tanto que hoje, em um mundo crescentemente digitalizado, este meio está no auge de sua força e cobertura. Mas seu poder, como revelou o mestre Alfredo Marcantonio, só obedece a quem tiver sabedoria e originalidade para empregá-lo de forma diferenciada. Para ilustrar sua tese, utilizou algumas famosas campanhas de mídia exterior, entre as quais a do The Economist – do qual Marcantonio foi um dos criadores –, que está há quase duas décadas no ar e soma mais de 300 peças, muitas delas antológicas. Trata-se de um caso exemplar de adequação e criatividade no uso do meio, pois esta campanha, além de ficar globalmente famosa, foi um marco na vida da principal revista de economia e negócios do mundo.A atenção, a disposição de enfrentar os desafios de frente e a constante busca da criatividade foram os principais fatores que mantiveram a relação da Verizon e da Draft tão forte por toda uma década, na qual a marca até então inexistente se transformou em uma megabrand do mercado americano. Este foi o testemunho franco dos líderes das duas empresas, a vp de marketing e brand management da Verizon, Jerri DeVard, e o presidente da Draft, Laurence Boschetto.No caso das novas e novíssimas mídias, tema dos seminários da Proximity e AKQA, o que se viu não foi apenas uma série de exemplos de uso original e adequado dos games, da internet e dos celulares para diversas tarefas de marketing e comunicação. Também ficou evidente que seu mix com outros meios – da televisão aberta ao outdoor – potencializa os resultados de muitas campanhas. Foi igualmente significativo a constatação de que mesmo nessas mídias mais recentes e naturalmente inovadoras, a criatividade faz enorme diferença e a necessidades de renovação dos talentos empregados é permanente.Brian Perkins, vp de assuntos corporativos da J&J, poderia ser um peixe absolutamente fora d´água no Festival de Cannes de uma década atrás. Atualmente, porém, sua apresentação faz todo o sentido, pois ele mostrou como construir soluções de comunicação muito mais efetivas sendo criativo na estratégia, na abordagem e no uso de meios e recursos – e não apenas nos roteiros dos comerciais de TV e no texto e layout dos anúncios. As soluções que apresentou incluíam a contribuição de outras agências que não as de publicidade mais produtoras, veículos e os próprios consumidores – que proveram boa parte do conteúdo e estrelaram uma campanha institucional da empresa e uma para o Svelta.No debate organizado pela Wunderman, cinco pesos pesados da criatividade em campos tão diferentes como a propaganda e a produção de shows foram unânimes não apenas em valorizar a criatividade, como era de se esperar, mas também em frisar pontos como: a colaboração (entre mídias, agências, produtoras e anunciantes), a força do conteúdo, a originalidade pertinente ao meio e propósito, o respeito ao target da comunicação e a adequação ao contexto no qual ela se realiza.
Brasil é líder em publicidade na Web, diz jornal
O Brasil está "liderando" o mundo na área da publicidade na internet, segundo o jornal International Herald Tribune. A afirmação é feita pelo jornalista especializado Eric Pfanner, que tem uma coluna sobre publicidade no jornal.
Ele comenta um recente festival em Cannes, no qual os publicitários brasileiros ficaram com 25 de 93 prêmios entregues para promoções publicitárias na rede. Entre as vantagens que as agências do país dispõem, segundo o colunista, estão os baixos custos e uma grande quantidade de especialistas capazes de desenvolver os anúncios.
Mas Pfanner observa que o avanço das conexões com banda, que permitem a realização de anúncios com maior complexidade e mais caros, pode ameaçar a posição de supremacia das agências brasileiras na área.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Prepare-se para receber propagandas em seu celular

Por Astrid Wendlandt
PARIS (Reuters) - Seu celular pode ser um dos últimos pontos do mundo a se manter relativamente livre de publicidade. Mas não por muito tempo.
Empresas de mídia e publicidade encontraram uma forma de ganhar acesso aos celulares das pessoas por meio da transmissão de anúncios pelo sistema Bluetooth, a mesma tecnologia usada por alguns dos sistemas de viva-voz para celulares.
Eis como funciona o método: quando o usuário está localizado a menos de 10 metros de um outdoor, vitrine ou bilheteria de casa de espetáculo que contenha um sistema Bluetooth ativo, ele pode ser convidado a ligar a função Bluetooth de seu celular para receber um arquivo --uma canção, um vídeo ou uma oferta de cupons de desconto.
Se você estiver passeando pelo Champs Elysees, por exemplo, não se surpreenda caso um dia a luxuosa Lancome, usando essa tecnologia, fizer um convite para experimentar seu mais novo perfume, em uma loja próxima.
Você também pode receber clipes publicitários da Coca-Cola ou um trailer do filme de animação "Happy Feet", da Warner Bros.
"O celular é o aparelho eletrônico que as pessoas carregam quase todo o tempo, de modo que representa oportunidade boa demais para que as empresas de mídia e anunciantes desperdicem", disse Nick Jones, analista do setor de tecnologia sem fio no grupo de pesquisa Gartner.
Mas as operadoras de telefonia móvel não estão demonstrando grande entusiasmo pelo marketing via Bluetooth, já que ele tem custo zero para os usuários e em muitos casos não gera receita adicional para elas.
Em lugar disso, operadoras de telefonia móvel como a Orange favorecem uma tecnologia rival chamada Code 2D -ou QR (quick response codes).
Esses códigos de barras, que já estão em uso no Japão, são lidos pelas câmeras dos celulares e enviam o usuário diretamente a uma página na Web. O acesso ao site requer assinatura a uma conexão de Internet sem fio no celular, pela qual os usuários em geral precisam pagar.
"O Bluetooth não responde a todas as nossas necessidades de marketing móvel", disse Jean-Noel Tronc, que comanda a Orange Mobile na França, em entrevista por telefone à Reuters. "Para nós, o Code 2D é bem melhor."

E ai galera que é que vocês acham desse novo tpo de publicidade que estar por vir?
Séria uma sacada boa ou seria invadir demais na vida das pessoas?

Abraaaaaaaaaços

Lucas Maciel

terça-feira, 11 de setembro de 2007

A Convergência de Mídias como Ferramenta na Construção das Inteligências Coletivas
Angélica SilvaCanal Saúde - Fiocruz
Não se pode pensar sobre a convergência de mídias sem refletir sobre o cotidiano, o presente. Aí está a grande dificuldade. Trata-se de um processo do qual todos somos testemunhas e ao mesmo tempo atores.
Dois importantes componentes nesta fusão que está se estabelecendo entre tv, rádio, internet e veículos impressos são a digitalização do conhecimento e a disponibilidade deste saber acumulado numa rede mundial de difícil controle.
A própria estrutura da internet revela algumas coisas. O principal protocolo, que carrega as informações nos diferentes meios que formam a rede – o IP Internet Protocol -, transmite os pacotes de informação com o mínimo esforço e não tem qualidade de serviço. Esta é a grande dificuldade de mandar sinais digitais de imagem e som na internet, pois os pacotes multimídias precisam chegar no destino certo e em uma ordem determinada, o que não é necessidade primordial para o transporte de dados.
Porém o que podemos tirar como reflexão destas concepções técnicas das redes de dados IP que estão sendo sanadas pelos engenheiros, para que brevemente possamos ver vídeo de qualidade em computadores e outros dispositivos? A resposta a esta questão é a dificuldade de controle do fluxo de conhecimento que irrompe as casas. Hoje, a "navegação" na Internet permite aprender tanto a fabricar bombas quanto fazer um passeio no Louvre. O desafio do educador é como transformar essa experiência virtual numa ação prazerosa e produtiva na realidade do educando.
Há vários entusiastas da chamada democracia virtual, que a Internet pode estar proporcionando à civilização, entre eles, o filósofo Piérre Levy. Antes de falar dos conceitos que ele prega tais como, cibercultura e mais recentemente inteligências coletivas, gostaria de colocar algumas observações sobre a América Latina e o Brasil.
Atualmente, no mundo, o número de computadores se iguala ao número de aparelhos de TV. Mais de 600 milhões de pessoas têm algum tipo de acesso à internet. Em 2001, as estatísticas oficiais mostravam que metade dos brasileiros nunca usou um telefone fixo e que, de cada cem nativos, só seis possuem computador. Cerca de 13 milhões de pessoas no Brasil estão conectadas à rede, menos de 10% da população. A Argentina, mergulhada em caos econômico, tem números mais animadores sobre a questão. Diante destes dados, é quase uma verdade irrefutável que a exclusão digital é um problema que merece da atenção do governo, da sociedade e do ambiente acadêmico brasileiro.
O acesso à banda larga, que permite a visualização de vídeos em computadores e outros dispositivos como uma experiência razoavelmente interessante e divertida, é ainda mais elitizado. Precisamos equipar as escolas públicas com acesso à Internet de alta velocidade. É estratégico que novos governos pensem nisso como prioridade. As políticas de telecomunicações devem enfatizar a inclusão digital da sociedade brasileira.
Piérre Lévy, em recente visita ao Brasil, compartilha desta opinião da intervenção do Estado para garantir a inclusão digital. Ele acredita que o anafalbetismo e a falta de recursos culturais são os grandes vilões para este acesso. O filósofo tem estudado o quanto as comunidades virtuais podem contribuir com o avanço da humanidade.
Neste sentido, uma de suas contribuições é o conceito de Inteligências Coletivas. Ele afirma que a Internet pode criar uma espécie de "ágora virtual", onde os cidadãos poderão deliberar sobre assuntos que lhe concernem diretamente, criando espaços virtuais temáticos onde compartilhem suas inteligências individuais, memórias, percepções, imaginações, resultando numa aprendizagem coletiva, enfim, na troca de conhecimentos.
O processo de convergência de mídias, que tem feito os jornalistas ( esses artífices da comunicação) pensarem muito sobre seu trabalho é um dos motores na formação destas Inteligências Coletivas. Segundo Pierre Lévy, "quanto mais esses órgãos de comunicação se aperfeiçoam, mais essa memória se torna vasta e mais o ecossistema das idéias se transforma, a inteligência coletiva aumenta, se complexifica e evolui com rapidez."
Ainda expondo sobre este conceito, o filósofo concentra três pólos de significação do capital da Inteligência Coletiva: o técnico, o cultural e o social.
O capital técnico consiste no ambiente físico, na mídia e nos próprios computadores ligados à internet. Vimos já que o problema da exclusão digital diz respeito diretamente a este pólo.
O capital cultural está no pólo do signo e é a memória gravada da cultura. Trata-se da estrutura abstrata das idéias e da maneira que são representadas. O descaso com a memória brasileira têm se repetido no mundo digital. Quais são os esforços para digitalização do conhecimento brasileiro? Poucos. O site da Biblioteca Nacional é um dos esforços neste sentido. A migração de mídias, que hoje se dá, está enterrando a produção cultural do país. Um dos maiores exemplos é a música. Nos últimos 20 anos assistimos à transição do vinil para o cd e agora para o cd-r. O quanto está perdido neste interregnos de tecnologia? Historiadores irão dizer com mais precisão.
Já o capital social está na reunião das idéias produzidas pela população e dependem do regime político em questão. Vivemos numa democracia ocidental, onde o Estado se propõe, desde a Constituição de 88, a se organizar em parceria com a sociedade nos conselhos de direitos. Porém, o cidadão não vislumbra com facilidade esta opção de participação política na sociedade. Não existe uma política enraizada de integração destes conselhos, que, em sua natureza, são municipais ou locais. Seria interessante colocá-los em rede. Assim como, volto a citar, urge que as escolas públicas brasileiras estejam em rede e interagindo.
Experiência pioneira neste sentido é a TV Escola e o Canal Saúde, ambos canais de TV Aberta em UHF, que podem ser vistos no Brasil inteiro através de antenas parabólicas analógicas. A TV interativa digital permitirá que o aluno interfira na programação, tenha contato direto com um especialista ou tutor, dependendo da programação e ainda poderá partilhar experiências com jovens de diferentes localidades do país.
Enfim, há ainda a questão levantada por filósofos e pelo sociólogo Manuel Castells: a revolução tecnológica muda costumes e a apreensão da informação ou a mudança de mentalidade que constrói novos canais de informação? Creio que há quarenta anos atrás, Marshall Macluhan já tinha a resposta para questão - "não há como dissociar o meio da mensagem". É por isso que seus conceitos estão sendo revisitados. O educador precisa adaptar seu conteúdo, entender o processo de aprendizagem frente às novas perspectivas que a tv interativa possibilita e tirar o maior proveito delas.
O receptor na tv interativa deixa de ser passivo no processo comunicacional. Ele assume o papel de emissor também. Podemos citar como efeitos do uso de hiperlinks nas imagens em movimento: a segmentação de público, a personalização de programação, o aumento da capacidade de crítica, a busca de conhecimento e a interação com outros espectadores. Tudo isso beneficiará imensamente a população brasileira na busca pelo saber. Aguardemos os novos tempos, partilhado do otimismo de Piérre Levy.