24/03/2008 13:18 REVISTA DA SEMANA, ED ABRIL
Ficar longe de e-mails e sites sociais provoca ansiedade
O conceito de dependência como doença surgiu no século 19. Diz respeito a uma perda de controle, um desejo incontrolável, um transtorno da mente por alguma razão, como álcool ou outras drogas. Agora surge uma nova categoria de viciados: são os “netaholics”, ou “webaholics”.
São os dependentes de internet, pessoas que ficam completamente desnorteadas quando estão longe do e-mail, do MSN ou do Orkut. Uma ampla pesquisa com 5 mil pessoas, de 12 a mais de 50 anos, feita pela consultoria Solutions Research Group dos Estados Unidos, acaba de mapear o problema, diz o site de tecnologia Ars Technica.
Do total de entrevistados, 68% apresentam grau médio ou elevado de ansiedade quando estão longe do computador, do smartphone ou do celular. “Pânico”, “tensão”, “vazio”, “perda de liberdade” e “inadequação” foram algumas das expressões usadas para definir o incômodo. O estudo apontou distúrbios em quatro campos da nossa vida:
Segurança. Pessoas sem acesso instantâneo aos amigos ou à polícia sentem-se mais vulneráveis.
Trabalho. O sentimento é de perder oportunidades ou não corresponder às expectativas do chefe.
Vida social. A idéia de não receber um convite para uma festa ou uma conversa online é insuportável.
Organização. Há quem só consiga programar a vida com a ajuda do Treo ou do Blackberry.
A pesquisa também dividiu os hábitos e os comportamentos adotados pelos entrevistados de acordo com a idade:
Adolescentes. Usam mensagens de texto por celular, programas de mensagens instantâneas como MSN e sites sociais como Facebook, MySpace e Orkut. Não conseguem se concentrar na lição de casa e dormem mal.
Jovens adultos. Usam email e MSN. Somem dos amigos e levam o celular até para o chuveiro.
Adultos. Utilizam e-mail pelo computador e também por meio de smartphone. Sentem pânico por estar desconectados do trabalho.
Idosos. Ainda são minoria, apesar do prognóstico da revista Economist do aumento do uso de sites sociais na terceira idade nos próximos anos.
Inúmeros estudos já aprofundaram o tema. A psiquiatra americana Kimberly Young, autora do livro Caught in the Net (Apanhado na Rede), recusa o rótulo de doença para o problema, já que o hábito traz benefícios ao usuário, ao contrário do que acontece com a dependência de substâncias químicas.
A discussão chegou ao Brasil. A Universidade Federal de São Paulo atende gratuitamente viciados em internet no Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes. Um grupo de psicólogos e psiquiatras dá conselhos online – sim, online – por intermédio do site www.dependenciadeinter net.com.br aos usuários que desejam, simplesmente, voltar a usar o mundo virtual sem prejuízo do que realmente importa: a vida real.
terça-feira, 25 de março de 2008
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